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Suicídio entre padres e pastores: Uma questão séria e desafiadora


"Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa"

(Cálice, Chico Buarque)

Certa vez alguém me disse que "Os leigos retiram os padres de sua condição humana e os elevam à categoria divina. Quando estes se comportam como seres humanos, os leigos se revoltam". Embora a afirmativa me pareça generalista e radical, guarda um ponto de verdade.

Neste mês de novembro, a mídia noticiou três suicídios de jovens padres. Suas idades variavam de 31 a 37 anos. Um deles, dois dias antes de sua morte publicou nas redes sociais uma foto sua de criança com dizeres de agonia, mencionando as "noites traiçoeiras" que atravessava e sua inclinação a se render à agonia. Embora alguns leigos tenham se solidarizado, grande parte comentava a beleza de sua foto de criança e dizia que ele não havia mudado nada. Parece cruel como ignoravam o explícito pedido de socorro. Contudo, a questão é mais complexa. Parece senso comum que os mediadores do divino estejam disponíveis para auxiliar no sofrimento humano e por esta razão, são vistos como pessoas fortes, inabaláveis, quase intocáveis. Talvez se defrontar de modo claro com a humanidade do padre, que muitas vezes é uma âncora para o fiel, o conduza a um desamparo que torna mais fácil negar sua possível fragilidade.

O fato é que parte de nossos sacerdotes estão sucumbindo. O mesmo é observado com pastores no meio evangélico. E porque isto estaria ocorrendo?

Trabalho como atendimento clínico de religiosos há bastante tempo. Lembro-me de certa vez atender uma religiosa, que me disse que a lembrança mais remota de alguém no mundo físico, cuidar dela, era de uma babá da sua infância que a abraçava e acalentava, uma vez que fazia parte de uma família numerosa que fazia com que seus pais não estivessem tão disponíveis para aconchegar a todos na intensidade que ela desejava. Durante um dos atendimentos em que falava de sua solidão como religiosa, a dificuldade de relacionamento entre os pares e a impossibilidade de falar de seus desafios pessoais com os leigos, ela pediu para que eu permitisse que ela deitasse no meu colo para chorar, como fazia com a sua cuidadora na infância. Rememorar este episódio me leva a lembrar do imenso desamparo e solidão daquela mulher à época.

Uma das razões do acometimento da depressão e síndrome de Burnout entre religiosos relacionam-se com variáveis internas, as pressões do ofício e também a imensa solidão destes sujeitos.

Parece urgente que religiosos e leigos reflitam sobre este adoecimento crescente dos religiosos, suas causas e possíveis soluções. De modo especial, creio que uma conduta preventiva possa ser interessante. Que bons pastores continuem doando suas vidas pelas ovelhas, sem correr o risco de perder a própria alma...

 

 

 

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